Ingenuidade é o motor do relacionamento. É aquilo que a leva a fazer coisas idiotas, inclusive acreditar que existam relacionamentos. E que eles “dão certo”. Assim como os comerciais de margarina. Não são de verdade. Não nesse modelo.
Outra e outra vez e você sempre acha que aquele será diferente. Até que você percebe que não mudou. E não é o outro. É você. Você repetiu tudo de novo e outra vez. Você se expôs. Você odiou tanto aquela pessoa que pensou amar. Você foi cartesiano. Outra vez. E o pior, você alterou seu status no facebook. A maior de todas as bobagens já inventadas pela humanidade. Sim, o facebook, e, principalmente, o status de relacionamento.
Ao aceitar a solicitação de outro para “em um relacionamento sério com…” seu sorriso craquelou. A máscara de noivinha esfarelou-se e você percebeu, mas mesmo assim não pode evitar.
A máscara de noivinha é aquela que vem pronta, que você quase sempre usa ao se apaixonar. Ela é insistente. Mora em você. É a futura esposa, mãe zelosa e devotada ao marido e ao lar. Ela é quase inevitável. Apesar de você estar ciente de que ela não serve para você.
E então vem o pedido de mudança de status, que você até desejou, mas soube ao aceitar que era o marco da exposição, talvez o início do fim. Então você mudou o status e seus amigos “curtiram” e metade da humanidade morreu de inveja, e os ex (seus e dele) se esforçaram para mostrar como estão felizes por você e morrendo de inveja por dentro. Ou não.
Mas não importa porque, de toda forma, esse coraçãozinho que aparece ali e que liga vocês dois, se esfacelará em breve, pois você mesma tomará todas as atitudes viáveis e inconscientes para que isso aconteça. Porque no fundo você ainda não conseguiu abandonar a ideia (que subjetivou você por anos a fio) de que há um príncipe e felicidade para sempre. E é para matar essa ideia que você trata de ferrar sua relação. Pelo menos enquanto você não consegue construir outra máscara, porque sem a noivinha você também não sabe bem o que fazer.
Apesar de você ter estudado 10 anos na mesma universidade, e ter sido formada por professores que lhe ensinaram muitas coisas, entre elas, que a vida adulta é um caos tanto quanto a vida adolescente, que a felicidade não existe, e que vão insistir, a cada minuto em frente à telinha brilhante, que comprando qualquer coisa ou tomando o remédio certo, ela aparece. Você sabe que ela não existe, nem a felicidade, nem os príncipes, e que as princesas são mais ogras e abóboras e peludas do que sempre tentam parecer.
O seu mundo caiu, mas você se levantou. Você faz força para continuar de pé. Você sente dor. Uma dor que estraçalha, mas você descobre que há uma razão para viver, ou pelo menos, você acredita que haja. E é segurando isso, esse nada, que você segue.
Então você abre o facebook e “se liberta”. Muda seu status para “solteiro (a)” e promete a si mesma que não irá mudar isso NUNCA MAIS. Porque você tem quase 30 e já entendeu que o matrimônio e a maternidade não são destinos nos quais você deseja se meter, porque eles duram uma vida.
E uma vida, é muito tempo.